quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pedras

Depois de todas as pedras!
Depois de todas os passos!
Depois!

Vi a beleza do nosso passado
Do lenço ao vento
Do beijo

Do beijo não beijado
Mas quem pode dizer que não?

Depois de todas as pedras!
Depois de todas os passos!
Depois!

Vi que nos encontramos
Na memória um do outro
No encanto

No encanto dos sentimentos
Que pairam no ar

Depois de todas as pedras!
Depois de todas os passos!
Depois!

Vi que desejávamos
A mesma beleza
O mesmo encantamento
Contido no lenço
No beijo
No sentimentos
Enfim nas pedras

Segundos

Meu próximo passo
É um segundo para a eternidade.
Vou como um deus,
Descobrir o que sou e como vou.
Na harmonia das coisa,
No pulsar do universo , no bater
Do coração, no passo
No próximo segundo

No segundo das coisas rápidas,
Dos necessário, descartáveis
Tangíveis e irrelevantes
No passo do passado aprendido
E no futuro desconhecido

No nascer e morrer da fagulha.
Segundos

No tropeçar, na mão amiga,
No labirinto de coisas sabidas
E tediantes. No término
Dos amores, na abertura dos novos,
Na juventude conquistada
E na maturidade presente

No nascer e morrer da onda
Segundos!

No ódio e amor
Que sentimos indesejadamente
No som da canção
Naquilo que não é mais
Do que era antes
Em um momento atrás

Tanto a aprender
Tanto a ensinar
Tanto segundos

Mais um momento
O próximo segundo
É a eternização

Memorável que me cerca,
Me pinta e me faz  ser arte
Sobre o tempo e os homens

Mais um segundo
Mais um passo
Chego, mas não paro

Vida

A gaivota no ar
A pessoa no chão
O pouso
O pulo
A ave
A alma
A liberdade no ar
A liberdade no chão
A vida

A vida!

Noites de Orfeu

Vou para as noites de Orfeu
Beberei e beberei
Até que minha alegria transborde
Até que meu corpo embriagado dance
E passe a noite, sobre outra noite
E a hora sobre outra hora

E todas as coisas que me são tão próximas
Atirarei a minha própria sorte
Para que aqueles que me amam
O façam intensamente
E os que me desprezam, me esqueçam
Como uma onda que se vai na praia

Vou rasgar as vestes que me agridem
Que me corrompem
Deixarei a minha verdadeira roupa a mostra
Estarei nu, para dançar a música de Orfeu
Para me deixar solto aos caprichos da canção

Vou olhar nos olhos ardentes
Daqueles que querem de mim
Que a festa seja festa
E que eu seja o palco
O cenário perfeito
A cortina escancarada
O riso despojado
Os pés saltitantes que se fincam na terra

Vou pegar a moça e o moço
Dançarei com eles, os farei dançar
Por que assim como eu, Orfeu
Que em noites de festa
Não para um só momento
E suas cordas, sua boca, sua mente.
Tudo canta na alma de Orfeu!

Mas a festa, ainda que boa
A noite ainda que lua
A moça ainda que tua
Queira repassar todos os cantos
E todos os contos, não poderá!

Praia Paulista

Praia Paulista.
Quente e dura, concreto puro, para paulistas passar.

Praia Paulista.
Que te encontro e te leio sobre a sombra da árvore

Praia Paulista.
Do novo, da paixão, do abandonar-se.

Praia Paulista
Passeio contigo, passeia comigo, me conduz.

Praia Paulista.
Me laça, me mostra o mundo que devo estar.

Praia Paulista.
Novembro sol, nos seus nonos dias.

Praia Paulista.
Do terceiro no novo século.

Praia Paulista.
Passeio, pássaros, pessoas e paixão.

Praia Paulista.
Paixão ardente, contemporânea e igual.

Praia Paulista.
Me encontro, te encontro, sempre.

Boca

Tua boca tem uma sensualidade tão grande
Que até confunde os meus sentidos
Só de pensar alimenta meus desejos
E me provoca
Pensar em ti como um todo
Como um corpo é como jogar-se
Em um precipício
Sem medidas, sem reservas

Chuva de outono

Chuva de outono
Quadro sem sentidos
Os nossos ruídos em contradição
Em cima da mesa copos e xícaras

Ao lado da porta, um porta- retrato
Escondendo um sorriso de um coração
A procura do amor
Apelos e olhares, que não querem mais se olhar

A dança tão fora do ritmo
Te chamo pra dançar
Olhei para o mundo
Descobri um universo

Mas quando entrei em casa
Tudo parou de girar