quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Noites de Orfeu

Vou para as noites de Orfeu
Beberei e beberei
Até que minha alegria transborde
Até que meu corpo embriagado dance
E passe a noite, sobre outra noite
E a hora sobre outra hora

E todas as coisas que me são tão próximas
Atirarei a minha própria sorte
Para que aqueles que me amam
O façam intensamente
E os que me desprezam, me esqueçam
Como uma onda que se vai na praia

Vou rasgar as vestes que me agridem
Que me corrompem
Deixarei a minha verdadeira roupa a mostra
Estarei nu, para dançar a música de Orfeu
Para me deixar solto aos caprichos da canção

Vou olhar nos olhos ardentes
Daqueles que querem de mim
Que a festa seja festa
E que eu seja o palco
O cenário perfeito
A cortina escancarada
O riso despojado
Os pés saltitantes que se fincam na terra

Vou pegar a moça e o moço
Dançarei com eles, os farei dançar
Por que assim como eu, Orfeu
Que em noites de festa
Não para um só momento
E suas cordas, sua boca, sua mente.
Tudo canta na alma de Orfeu!

Mas a festa, ainda que boa
A noite ainda que lua
A moça ainda que tua
Queira repassar todos os cantos
E todos os contos, não poderá!

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